Meu filho não passou no vestibular, como escolher o seu cursinho?
Carta para
os pais:
Meu filho não passou no vestibular,
como escolher o seu cursinho?
Época “aperreada” para os jovens que
aguardam as listas de aprovação dos vestibulares, ansiosos pelos resultados das
provas, incertos quanto ao seu futuro imediato (como será esse meu ano novo?),
muitos em pleno luto pela perda da convivência com os amigos do Ensino Médio e
do próprio ambiente escolar. E, ainda
com muito medo de encararem o fracasso da reprovação dos vestibulares, o que
para muitos é a primeira grande frustração que enfrentam.
No campo psíquico, os vestibulandos
experimentam um “limbo” de identidade, pois já não são mais alunos
secundaristas e ainda não são estudantes universitários, experimentam uma
sensação de seres “entre lugares” como me disse um amigo professor de cursinho.
Condição essa que delimita a submissão e a apatia de suas atitudes.
O que mais encontramos no
comportamento dos vestibulandos nessa época do ano é o silenciamento, o
desânimo, a negação, a quase completa prostração e o desejo intenso de
permanecer em férias, de preferência num lugar distante da cidade de origem
para que não o coloque em contato com uma realidade tão nublada.
Pais e mães participam visceralmente
dessas angústias dos filhos vestibulandos, não passam incólumes. Ao contrário, acompanhando
esse momento junto aos pais, os percebemos quase afogados em dúvidas sobre o
que fazer para aplacar o sofrimento dos filhos e se bombardeando em
auto-críticas e culpabilizações: Será que não acompanhei meu filho suficientemente? Quais as dificuldades
do meu filho que não consegui identificar?
Será que a escolarização que proporcionei a ele não foi a melhor opção?
Decorrendo daí a pergunta crucial do momento: Qual a melhor preparação
para meu filho nessa jornada rumo aos próximos vestibulares?
O caminho mais elementar seria a
procura pelos cursinhos. Existem diferentes propostas para essa preparação rumo
ao vestibular? O que levar em conta para essa decisão ser mais efetiva?
Consideramos essa resposta um caminho
de duas vias principais: 1) uma avaliação atenta das necessidades escolares de
seu filho, 2) o que os cursinhos oferecem (na prática) de serviços educacionais
e como é o ‘ambiente’ oferecido.
Sobre as necessidades escolares de
seu filho, será imprescindível compreender sua trajetória escolar numa
perspectiva ampla: como lidou com seus sucessos e fracassos na escola? Os pais
reconhecem as possíveis dificuldades ou lacunas do filho nas diversas áreas do
conhecimento? Seu pupilo aprendeu realmente a estudar ou se dirigiu exclusivamente
para atingir as notas das provas na época escolar? Tem interesse por algum
campo de conhecimento dentro ou fora das matérias escolares? Qual o significado
de fazer universidade para seu filho? Ele já refletiu sobre em qual curso
universitário pretende ingressar?
Questionamentos que reconhecemos não
serem de respostas rápidas e simples para os pais, mas podem contar com auxílio
de profissionais qualificados tais como os coordenadores e/ou orientadores
educacionais dos próprios cursinhos, se estes oferecerem tal serviço.
Entramos aqui diretamente nos
serviços que os cursinhos podem oferecer. Em nosso imaginário, os cursinhos
pré-vestibulares, parecem não se diferenciarem quanto as suas concepções
educacionais e métodos de ensino ofertados. De maneira geral, o diferencial
propagandeado pelas instituições se refere tão somente à marca dos diferentes
sistemas de ensino, ou seja, o nome das franquias que produzem as apostilas
escolares.
Entretanto, sugerimos um olhar mais
acurado para as seguintes questões: o trabalho desenvolvido pelo cursinho
atenderá as demandas escolares individuais de seu filho ou se propõe tão
somente a uma revisão de conteúdos de modo generalista?
Como é o ambiente físico e relacional
desse cursinho? Sabemos que o ambiente físico, como ventilação, iluminação,
áreas de convivência, ou seja, toda a arquitetura do espaço físico impacta
diretamente na qualidade da concentração e motivação para os estudos. Como são
as relações, a convivência nesse cursinho? Estão tomados pelo discurso
predatório da competição entre os seus alunos? São massacrados por excesso de
aulas expositivas, sem espaço para estudarem e se organizarem? Vendem um
discurso da “eficiência” por meio de frases feitas, como a tão comum: “aula
dada, é aula estudada”. Ou as promessas de aprovação sem antes conhecer o
aluno?
Verificamos que o discurso de muitos
cursinhos pré-vestibulares para firmarem-se num mercado tão competitivo é de propagarem
um cenário cheio de ansiedades, onde o rendimento nos estudos está associado a
um permanente estado de tensão. Quem já frequentou salas de cursinho de massa
(aquele com cem, cento e cinquenta pessoas sentadas num anfiteatro)
possivelmente saiba a marca dessa experiência em sua bagagem pessoal.
O ano (ou os anos) de cursinho pode auxiliar
de forma decisiva na preparação para os diversos vestibulares, entretanto, pode
também demarcar uma traumática experiência de fracasso e de desencanto com os
estudos.
É preciso estar atento, é possível
encontrar uma preparação para os vestibulares que agregue comprometimento e
alegria, disciplina e liberdade, método e criatividade, basta fazer a opção
pela busca.
Rodrigo
Clemente Ballalai
Psicoterapeuta
de adolescentes. Orientador Vocacional e Psicólogo do Núcleo de Orientação
Integral da Aprendizagem (N.O.I.A.)
Teste
ResponderExcluirBoa Rodrigo..adorei o texto.😁
ResponderExcluirPré-vestibular é uma fase de amadurecimento é comprometimento. Com o apoio certo, todos serão be-sucedidos! Apoiado!
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